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Novos ventos

Ao olhar para o gráfico publicado pela APETRO sobre a incidência dos impostos no preço final dos combustíveis rodoviários, não é fácil ficar indiferente à brutal carga fiscal que incide sobre o gasóleo, gasolina e GPL.

Quando recordamos as palavras do CEO da Volkswagen ao anunciar, no ano passado, que a marca germânica tem previsto lançar 30 modelos elétricos na próxima década, remete-nos para uma interrogação: como irá o governo transferir esta recolha de rendimento para a eletricidade? E logo outra surge: será que as famílias que não têm carro vão pagar a eletricidade mais cara?

Somos dos países da Zona Euro que tem a energia mais cara e se os carros começarem a gastar diretamente da tomada, garantidamente que o governo em funções não conseguirá viver sem este rendimento  dos impostos sobre os combustíveis. Em 2016 o imposto sobre os produtos petrolíferos rendeu 3.259 milhões de euros e representa 8% do total de impostos cobrados.

Com a “conspiração” em curso, patrocinada pela Comissão Europeia e por vários construtores automóveis que apostam cada vez mais em modelos 100% elétricos, ao que se juntam muitas cidades mundiais na proibição de entrada de veículos com motores de combustão, o cenário para os cobradores de impostos não é animador. Está em curso o desmame do petróleo e o paradigma que conhecemos desde a nossa existência vai começar a mudar.

Em cada litro de gasolina o Estado português mete a mão em 63% do valor final pago pelo consumidor, ou seja, em 1,45 euros por litro o Estado fica com 0,92 euros para si. E como lhe é conveniente deixa que os preços face à cotação do barril de petróleo (Brent) andem um pouco ao sabor do vento que sopra sempre contra o consumidor, forte e com rajadas na subida e fraco na descida.

 

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