Na variante Diesel mais potente do S90, que mantém o motor 2.0 mas com 235 cv não há escolha: o topo da potência vem sempre acompanhada de tração integral e caixa automática de 8 velocidades. O que se ganha e perde neste 2 em 1?

Na gama S90 as escolhas mecânicas são bastante simplificadas. Ou é gasolina ou Diesel, em qualquer dos casos sempre com um único bloco de dois litros e exclusivamente associado à caixa automática de oito velocidades. Se for Diesel pode ter 190 cv e tração dianteira (D4) ou 235 cv com tração integral, ou seja, este D5. Isto não significa que haja pouco por onde escolher, pelo contrário. Aliás, a Volvo, neste seu renascimento, refinou bem a filosofia dos opcionais, e o que não faltam são packs e detalhes extras que de tão pequenos parecem insignificantes na fatura e que depois de todos juntos, resultam num S90 configurado com 22 mil euros de opcionais, como é o caso desta unidade. Uns criticam o exagero no número e preço dos extras; outros elogiam o amplo leque de escolha e a possibilidade de personalização que, dizem, é o momento mais emocionante no processo de compra. Seja qual for a perspetiva, ao escolher-se o D5 com um acréscimo de quase 11 mil euros face ao D4 com 190 cv, recebem-se mais 40 cv e 80 Nm a um regime de motor inferior. Com 480 Nm de binário logo às 1750 rpm entregues apenas às rodas da frente de um automóvel com perto de duas toneladas, seriam necessários, com certeza, trabalhos forçados do controlo de tração em pisos menos que perfeitos em aderência - aliás, em ocasiões pontuais de fraco atrito, isso já se sente no D4. Portanto, mais do que uma extravagância, a tração integral, indissociável do nível D5, é uma naturalidade neste S90. O adicional de peso e de arrasto do diferencial Haldex é amplamente compensado pelo adicional de potência. Nas nossas medições típicas, os ganhos são sempre superiores a um segundo (1,2 nos 0 a 100 km/h; 1,6 nos mil metros; entre 1,2 segundos e 1,5 nas recuperações); e, na prática, quanto mais baixo o regime do motor no momento da aceleração ou recuperação, mais se nota a energia adicional; até porque, no caso dos arranques, as perdas de tração, mesmo com piso molhado, são nulas. Nas condições extremas de velocidade, em utilização calma quotidiana ou velozmente pela autoestrada a uma velocidade elevada de cruzeiro, as diferenças práticas esbatem-se notoriamente porque a caixa de oito velocidades, comum às versões D4 e D5 ajusta-se bem às necessidades, com uma mudança acima ou outra abaixo. Talvez também por isso, não registámos diferenças exorbitantes de consumo entre as duas variantes (D4 e D5), mas sublinhamos que em circuito urbano os valores por nós medidos estão notoriamente acima dos oficialmente anunciados.

Feita a escolha por esta versão D5, é importante refinar todas as outras. Nesta unidade testada, por exemplo, estão aplicados dois opcionais muito influenciadores: as jantes de 20” (1845€), duas medidas acima das fornecidas de série, com pneus 245/40, que intensificam a imponente presença estética, mas que precisam de outro opcional, a suspensão Four-C por 2030€, também instalado neste S90, e que consiste na combinação de elementos pneumáticos (apenas atrás) com amortecimento pilotado, para que o conforto e suavidade em pisos degradados não se traduza em solavancos e ruídos. Com esta combinação, o nível de conforto é surpreendentemente elevado para o tamanho das jantes em questão. E apesar do sistema ajustar automaticamente o amortecimento ao ritmo do momento, o sistema Four-C responde com mais amplitude e eficácia se selecionado especificamente no comando rotativo Drive Mode; o modo Comfort se o objetivo for o máximo conforto; ou o Dynamic para menores movimentos de carroçaria. Com tração integral, o S90 troca alguma agilidade à entrada das curvas mais sinuosas por mais eficácia em potência à saída das mesmas.

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